ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS 2026 – SEGUNDA VOLTA

 

CONTRA A ABSTENÇÃO


“Quem leva os meus fantasmas? Quem me salva desta espada?

Quem me diz onde é a estrada?”  (Pedro Abrunhosa, cantautor)

Nesta segunda volta, como já todos sabemos, a disputa é entre António José Seguro e André Ventura. É, como sói dizer-se, a diferença entre a água e o vinho; entre um bombeiro e um incendiário. Estas eleições têm condições muito próprias – só em 1986 é que foi necessário ir à segunda volta para eleger o Presidente.

Vivemos num mundo conturbado, onde podemos observar uma escalada de populismo e autocracia; onde impera o poder financeiro; a ordem internacional está minada e perigosa, fruto da chegada ao poder de homens sem qualidades; onde a mentira impera; onde os mais poderosos se julgam livres para tudo fazer.

Vivemos tempos onde fecunda o ódio sobre o outro; a falta de empatia com os pobres, os necessitados, os de cor e religião diferentes, que são alvo de perseguição. Lança-se sem pudor os fantasmas do medo, da insegurança. Apontam a espada àqueles que fogem da miséria, aos que estão na miséria, a quem ousa os enfrentar para defender os desprotegidos.

É neste cenário que somos convocados a decidir que Presidente queremos! Num terreno movediço de incertezas, temos de olhar para quem defende a Democracia – apesar dos ataques que estão a ser fomentados ao regime democrático, “a Democracia é o pior dos regimes à excepção de todos os outros”, frase atribuída a Winston Churchill.

Por isso, este momento é fundamental para mobilizar todos aqueles que acreditam na Democracia que votem em consciência. Devemos alertar aqueles que pensam que os resultados estão definidos que devem ir votar, é necessário ir votar, pois as sondagens que contam é a contagem dos votos daqueles que foram às urnas. A importância desta eleição é de tal ordem, que ninguém deve comportar-se como Pilatos: lavar as mãos para não decidir!

Os argumentos desta campanha eram completamente assimétricos, pois de um lado temos um discurso radical a dividir o país entre os maus e os bons, criando uma causa imaginária, sem qualquer fundamento, como sendo a fonte de todos os problemas, do outro um moderador activo, que defende a Constituição e os Direitos, Liberdades e Garantias de todos os Portugueses. É fundamental a defesa da Constituição!

É tempo de nos consciencializarmos de que não precisamos de nenhum Messias, de nenhum escolhido por Deus para derrubar o regime, nem de três salazares – para além de ser uma alarvidade, é um atentado à inteligência daqueles que acreditam no Deus Cristão, pois o Deus Cristão não apela ao ódio e à violência – o Concílio Vaticano II apelou à liberdade de consciência e religiosa, bem como ao dever social e de acolhimento, ao contrário de tudo aquilo que prega o que se anuncia como o “escolhido”. O País não precisa de homens providenciais!

No dia da primeira volta das eleições, ao chegar ao local da sua sede, André Ventura, quando questionado pelos jornalistas sobre as projecções inicias, fez o número costumeiro da hipocrisia: não sei de nada, venho da missa. É indecoroso. No final da noite, no comentário sobre os resultados, referiu que ia à segunda volta e que essa ia ser uma luta do Socialismo contra os valores Cristãos – é óbvio que quem tinha vindo da missa, só poderia dizer os valores Católicos. Mas aí ficava com o problema nas mãos do eleitorado das igrejas evangélicas, como a IURD.

Todavia, os valores Cristãos defendem o oposto daquilo que é a “doutrina venturista”. Pois Cristo defendeu a mulher adultera, quando estava a ser lapidada pelos fariseus, quando Cristo desafiou aqueles que nunca tinham pecado a atirar a primeira pedra… Cristo defende os oprimidos, os perseguidos, os que têm fome, os pobres, não obstante a raça, a religião e a cor da pele. Portanto, é o oposto daquilo que defende Ventura, que se é Católico devia conhecer as Bem-Aventuranças e pô-las em prática...

Não nos podemos iludir com tiradas populistas, acusações infundadas, como a questão dos subsídios para os ciganos e os imigrantes.

Domingo está em causa a luta pela Liberdade, pela Democracia, pela Verdade. O caminho da cidadania plena é ir votar e não ficar em casa, pois a abstenção só dará força ao populismo, à demagogia, à mentira, à manipulação.

Como canta o Pedro Abrunhosa, esta é a estrada que me salva desta espada e me leva os meus fantasmas!     

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