PENSAR ESPOSENDE XXXV

 

Os Sonsos na Política

Os ambíguos e dissimulados no palco da política

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Há dias ouvi uma entrevista, no E24, do futuro professor doutor engenheiro arquitecto Benjamim Pereira, como cabeça de lista do PSD à Assembleia Municipal de Esposende, nas próximas eleições autárquicas.

Ao mesmo tempo que ia ouvindo a dita cuja, ia-me lembrando dos sonsos que gostam de se dissimularem na política, vitimizando-se e procurando sempre imputar responsabilidades negativas para os outros; são o tipo videirinho que adopta um comportamento aparentemente neutro e despretensioso, de tanto repetir que ama a terra, que o exercício do poder autárquico dá muito trabalho, insinuando, até que não é para todos…

Contudo, estes sonsos gostam de cultivar uma imagem de homem simples, de alguém imparcial, mas frequentemente são uns mestres na arte da camuflagem das suas verdadeiras intenções. Os sonsos na política têm uma habilidade para explorar a confiança dos outros, procurando sempre se mostrarem aliados e figuras de consensos, ao mesmo tempo, pela calada, lá vão manipulando situações em silêncio para alcançar os objectivos que realmente almejam. Fazem sempre por evitar confrontos directos e optam alinhar por acções que parecem inofensivas. Prosperam na ambiguidade e utilizam a dissimulação como ferramenta para desviar a atenção sobre as suas reais intenções ou influenciar decisões sem serem percebidos.

Conforme ia ouvindo, lá me lembrava dos sonsos na política. Ao mesmo tempo, percebia que estava ali alguém ciente de que o que dizia tinha um objectivo: que lhe interessa que quem o ouve seja ignorante porque a ignorância é a serva da tirania.

A facilidade com que se diz e desdiz é peculiar, e só não é embaraçosa para quem não tem um pingo de vergonha. Mas isso já não existe no político de hoje! Basta atentarmos os resultados eleitorais que têm marcado Portugal e a Região Autónoma da Madeira.

Aqui entronca a desfaçatez de quem branqueia o que o próprio diz e, posteriormente, faz o seu contrário, senão vejamos:

1 – O futuro professor doutor engenheiro arquitecto Benjamim Pereira afirmou, numa entrevista concedida a este mesmo canal, E24, que levaria o seu mandato até ao fim e que não iria para nenhum cargo político, julgo que em Dezembro de 2023.

Na entrevista publicada a 1 de Junho, procura defender-se que aceitou o convite do CEO da Spinumviva para presidir ao IHRU e que foi um convite irrecusável. De facto, para quem dizia que o problema da habitação tinha de ser o mercado dos promotores imobiliários a resolvê-lo com mais oferta; mudou muito o seu pensamento ao ir gerir o IHRU, que é o Instituto que põe em marcha a política de habitação pública decidida pelo governo, e não apenas a habitação para os pobres e indigentes… a habitação pública também tem de chegar à classe média… Alegou até que tinha recebido o convite para integrar a lista de Deputados nas eleições legislativas de 2024 e que recusou… Mas parece-me que não teria sido bem assim, pois, eventualmente, teria sido  Benjamim a mostrar intenção de ir na lista em lugar elegível, mas não lhe satisfizeram a vontade… mas isto foi conversa saída da reunião da distrital de Braga do PSD, pois isso é sempre o diz que disse no final dessas reuniões de disputas de lugares?

2 -  A sonsice é tanta que fazer de quem o ouve uns néscios é ridículo. Arvorar-se que aumentou o Orçamento da Câmara de 17 milhões para 68 milhões, é de rebolar a rir.

Então se no legado dele foram transferidas competências na área da Educação, da Saúde, da Acção Social, do Ambiente, etc, acompanhado disso o respectivo envelope financeiro, quer dizer que isto não aumenta a receita do Orçamento? E a exorbitância de impostos recebidos, como por exemplo o IMT, não aumenta, O IUC, o IMI, a componente do IVA, o IRS dos residentes? Chamar a si a requalificação da Escola Secundária Henrique Medina, sem acrescentar que a verba saiu do governo central e dos fundos comunitários, apenas demonstra baixeza. Fala do rego como se fosse a salvação. Indigna-se por ninguém valorizar o que ele pensa que é uma grande obra. Os problemas das cheias na cidade de Esposende estavam localizadas em 3 zonas, fruto da irresponsabilidade de quem autorizou construções em cima de linhas de água. Mas isso seria facilmente resolvido sem necessidade de abrir um rego a céu aberto, cujos custos de manutenção custa ao erário público mais de 600 mil euros por ano. Fala do Ensino Superior em Esposende? Mais uma falácia. O que ali está não tem nada a ver com ensino superior. Cinco ou seis milhões de euros a construir um edifício para oferecer ao IPCA para ministrar os Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTeSP), que são um novo tipo de formação superior que conferem diploma de Técnico Superior Profissional, uma criação do governo do PS para, dessa forma, financiar os Institutos Politécnicos, é brincar com a nossa inteligência ao apelidar isto de ensino superior. Pagou 936 000,00 euros por 35 560m2, da Estação Radionaval de Apúlia, para servir de base à operação do Instituto Multidisciplinar de Ciências e Tecnologia Marinha. Já quanto ao Forte de S. João Baptista, a Câmara, em cooperação com a Universidade do Minho, para proceder à instalação de um Centro de Divulgação Científica, comprometeu-se a pagar 204 000,00 euros pela cedência do espaço por 50 anos, comprometendo-se, também, a realizar obras no edifício no valor de 1 500 000,00 euros, acrescido de IVA. Assim sonha o futuro professor doutor engenheiro arquitecto com o ensino superior, isto para não falar da candidatura ao PRR para uma residência estudantil, que parece ter caído…

3 – Para não maçar muito sobre o falacioso discurso que expele sobre os seus mandatos – só faltou a smart city -, leva-me agora a abordar o, eventual, propósito desta entrevista: desmentir o candidato independente, Carlos Silva, sobre o concreto ou eventual convite para o suceder na Câmara Municipal.

Sobre isto não vou tecer comentários, a não ser que sou amigo do Dr. Carlos Silva, não sendo do mesmo partido político, mas isso não impede a minha amizade. Mas deixa-me alguma urticária esta desculpa do Benjamim de que «foi auscultando diversas figuras locais sobre o futuro do projeto político, incluindo Agostinho Silva, Guilherme Emílio, entre outro.». É estranho tanta conversa e auscultação… quiçá também tivesse havido muita conversa e auscultação aquando da nomeação do futuro professor doutor engenheiro arquitecto para substituir João Cepa como cabeça de lista…

Por fim, veio ao de cima o carácter do dito cujo, quando acusa a candidatura independente de Carlos Silva de “enganar os esposendenses”… isto para não falar que o dito cujo, afinal, até acha normal, que a votação de nomes de pessoas em qualquer plenário seja feito de braço no ar… quando a lei, mesmo nos órgãos dos partidos políticos, diz que as votações nominais são por voto secreto… mas o professor doutor até acha normal o braço no ar… cuidem-se, pois se assumir a presidência da Assembleia Municipal, para ele a eleição nominal será de braço no ar… e agora até já concorda com as transmissões online das sessões da Assembleia Municipal, o que nunca permitiu que assim fosse nos seus mandatos, inlusivé não permitir aos jornalistas a capção de som e imagem no decorrer da Assembleia, dizendo ele que está em causa a protecção de dados pessoais, quem sabe se baseado num parecer da Spinumviva, pois por esse país fora há centenas de municípios a transmitir as assembleias... a ver vamos o futuro...

Já agora, a presunção, a mania da arrogância e o tique de soberba, demonstra bem a sonsice com que habituou aqueles que o apoiaram e o ajudaram a entrar na política, atenta a forma como falou de Carlos Silva, afirmando “Encantou-se com a política, com os discursos, com a visibilidade”, santa ignorância deste sonso, pois ainda ele andava de calções e Carlos Silva já era um médico conceituado.  

Outra tirada que demonstra o tipo de pessoa que é, foi sobre Alberto Figueiredo – eu até estou à vontade para falar, pois ainda o achista da superioridade moral andava de fraldas e já eu andava nos jornais a criticar Alberto Figueiredo, enquanto presidente de Câmara -, quando diz: que o regresso à vida política de Alberto Figueiredo é legitimo, mas apontou-o como um “desfasamento da realidade”, tendo o topete de acrescentar “É um homem com 75 anos, desatualizado face às exigências da sociedade atual”, mas que pesporrência, não soubesse eu como são os sonsos políticos, e diria, até, que este é mais um Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda, morgado da Agra de Freimas, que se deslumbrou com o poder da capital do império.

Já agora, para o futuro professor doutor engenheiro arquitecto, Alberto Figueiredo não era um velho desfasado quando lhe foi pedir apoio e fê-lo subir aos palcos, a enaltecer a figura do homem simples de Forjães, nos comícios, principalmente quando teve como adversário João Cepa.

Acho que este é um sinal para que Carlos Silva e Alberto Figueiredo estejam atentos enquanto é tempo, pois muitos sonsos políticos andam neste momento a seu reboque. Se porventura perderem, vão mais uma vez perceber que andaram a dar palco a quem não merece.

Mas isto vai aquecer! Ai vai, vai!

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