RETROCESSO CIVILIZACIONAL





Paulo Núncio, é contra o aborto, agora que lhe tiraram o “açaime” que lhe puseram em 2024, quando em plena campanha eleitoral para as Legislativas, defendeu a revogação da actual Lei do Aborto, vem agora arvorado em Tomás de Torquemada, ou, cá por casa, em D. Diogo da Silva, subiu ao púlpito na Assembleia da República – a casa da Democracia, lugar onde se defende a igualdade e a não discriminação – destilou todo fel da sua bílis rabugenta, toda a sua arte de frustrado com algo que poderá, eventualmente, andar mal resolvido dentro de um qualquer armário, e arvorou-se no grande defensor das nossas crianças e o perseguidor desses malfadados “wokistas”, que quer condenar à fogueira.

Nesta intervenção que consta no vídeo acima, o que Núncio afirma é um grande embuste, uma mentira, pois, pelo que entendo do que ele afirma, no Artigo 5.º da Lei 38/2018, este só fala em pessoas intersexo, que é independente da identidade de género, não fala em pessoas Trans, nem com disforia de género.




Vai daí, acolitado pelos seus parceiros de coligação, o PSD, mais a tropa do Chega, liderado nesta matéria pela ideóloga Maria Helena Costa, quiçá também frustrada e com alguma patologia a necessitar de cuidados médicos, caracterizada publicamente pelo próprio filho, que ela renega por se assumir como “gay”, como: «há quem escreva livros sobre “ideologia” enquanto transforma a vida do próprio filho num inferno bem real.».

Em entrevista ao “Expresso”, Paulo Núncio, o novo Torquemada português, líder parlamentar do CDS, assumiu o «combate aos “delírios” progressistas, pois regozija-se por o seu partido, juntamente com o PSD e o Chega, promover a reversão da lei da autodeterminação da identidade e expressão de género. Este absurdo, este retrocesso civilizacional, que o representante de um partido fundador da Democracia em Portugal se orgulha de protagonizar, vai em sentido contrário de inúmeros pareceres científicos e avanços europeus sobre esta matéria.

O Núncio e a Maria Helena Costa devem julgar-se os enviados para zelar pelos bons costumes e incumbidos de vigiar pela pureza das doutrinas; para perseguir os hereges que contrariam a sua erudição. E assim, no dia 19 de Março de 2026, montaram o “seu tribunal” e exararam sentença de condenação aos que promoviam heresias; aos que contrariavam os ditames do “criador”; aos que ousavam não aceitar a doutrinação bacoca, de que um homem não se pode sentir mulher, ou uma mulher não se poder sentir um homem.

O facto é que os promotores desta retrógrada lei são os que enchem a boca a condenar o Estado por se intrometer na vida das pessoas, por não respeitar a liberdade individual e poder de decisão de cada um. Mas na doutrina deles o Estado deve intrometer-se nas decisões individuais de quem tem o direito de ter um vida em paz consigo mesmo, de quem quer ser o que sente ser.  

Paulo, eventualmente roído pela fé e pelo remorso, tornou-se o arauto do Divino, comprometendo-se na defesa dos costumes e da tradição.

Este é o homem que, quando secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, no governo de Passos Coelho, ficou conhecido como o defensor acérrimo de impedir o acesso aos dados fiscais do PR de então, Cavaco Silva, do PM, Passos Coelho, e do vice-PM, Paulo Portas, e do próprio…

Também deixou bem impressa a sua marca d’água ao deixar passar debaixo do seu nariz o “escândalo da fuga de cerca de 10 mil milhões de euros para offshores sem a fiscalização adequada” dos Assuntos Fiscais.

Pois bem, este Núncio não aprendeu nada quando, armado em forcado, desafiou, em campanha eleitoral autárquica, um bezerrinho, que com a maior facilidade lhe mandou uma cabeçada na pança que o dito cujo logo ficou por terra, sendo ajudado a levantar-se, lá foi o Núncio com o “rabo entre as pernas” enxovalhado pela inteligência do pequeno bezerro…

Trans foi o que esta tropa fandanga transformou o CDS…


Mensagens populares deste blogue

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS 2026 – SEGUNDA VOLTA

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS 2026 – SEGUNDA VOLTA

AS FALÁCIAS SOBRE A BANCARROTA*