UM GOVERNO DE PLANOS EM POWERPOINT’S

 Os planos do Luís


“O país está melhor e os portugueses também”

Luís Montenegro

Luís Montenegro, Primeiro-ministro, proferiu, com o seu costumeiro ar de cínico, sorriso gozão ao canto da boca, olhar de “carneiro mal morto”, a citação acima. Pobre é o país que ouve, expelidas da boca do seu responsável máximo do governo, afirmações sobre um país que os cidadãos não conhecem – um país imaginário e que só Montenegro parece saber onde fica…

Quando queremos perceber se alguém está a passar por dificuldades financeiras, basta olharmos para o seu calçado, pois é por aí que começa o descuido; segue-se a roupa gasta e o cabelo mal tratado. Por isso, quando caminhamos já descalços em cima de vidros partidos e espigões de ferro, roupa já gasta de tanto uso e o cabelo mal tratado, ao ouvirmos tais declarações, só nos poderemos sentir ultrajados – Montenegro vive a sua bolha, onde só inclui os seus ministros (muitos deles muito ricos) e os amigos clientes da Spinumviva, pois ele veste fatos de milhares de euros e sapatos de centenas de euros, basta atentar no pedido de indemnização que exigiu em tribunal ao jovem que lhe despejou tinta verde em cima...

O cabaz alimentar atingiu preços nunca antes vistos; os combustíveis batem recordes de preços todas as semanas; a saúde piora de dia para dia; listas de espera para consultas, exames e cirurgias nunca estiveram tão grandes – mas podemos reconhecer que o Luís é um génio, pois produz sempre uma saída, na versão artística do anúncio... E ele que tanto desdenhou os anúncios e os powerpoint’s do Costa…

Montenegro serve-se do “berrador” para distrair as atenções sobre a sua desgraça governativa, até porque ele não governa, apenas apresenta planos; não resolve os problemas, anuncia planos. E fá-lo com tal qualidade, que consegue ludibriar quem o ouve e vê. A sua solenidade nos anúncios é tão ensaiada, e com tal brilho nas “ventas”, que leva os incautos a pensar que agora a solução milagrosa do Luís é a panaceia para os males que há séculos enferma o país…

Agora foi o anúncio do PTRR – Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência – numa cerimónia debaixo da pala no Parque das Nações. Tudo muito bem encenado. Os convidados eram muitos. A imprensa em peso. Os dirigentes públicos estavam devidamente adornados no seu fato de cerimónia. A administração Pública ficou um dia sem os seus principais dirigentes a trabalhar onde devem. Os ministros lá estavam todos, pois assim o Luís sempre o exigiu. Começaram a surgir os Powerpoint’s, bem feitos, bem preparados, bem encenados… O luís lá começou a ler. Até mudou o nome, numa das vezes, de charcas para “chakras”… quem sabe se de propósito para perceber se a plateia estava atenta ou a cochilar – como acontece na maioria deste embuste que custa caro ao país…

Vai daí, anuncia o Luís, com ar garboso, certamente depois de falar para o seu espelho, nesta do espelho meu, espelho meu, quem é mais sortudo do que eu?...: 22,6 mil milhões de euros para investir em 96 medidas, 15 domínios, três pilares, tudo isto no espaço temporal de 9 anos…, distribuídas num PDF de 77 páginas…, MAS ONDE SE CONCLUI QUE DOIS TERÇOS DAS MEDIDAS ANUNCIADAS NESTE PLANO JÁ CONTAM NO ORÇAMENTO DO ESTADO PARA 2026… tanto embuste, só à altura do Luís… deixem o Luís trabalhar na falácia…

Mas afinal o que é este PTRR? Nada mais nada menos do que o bisneto, neto, filho dos anteriores planos que o Luís já nos apresentou nos últimos dois anos…

Comecemos pelo bisavô:

- Acho que a maioria ainda se lembra do Plano de Emergência e Transformação na Saúde, nascido em Maio de 2024, que nos dizia, com aquela sua promessa de escuteiro, que em 60 dias os resultados estavam à vista, pois era fácil implementar as suas 54 medidas, os cinco eixos estratégicos – dois anos depois o SNS continua um caos e tudo está pior do que quando foi anunciado o milagroso plano…

Seguiu-se o avô:

- Construir Portugal – o tal plano para a habitação que ia resolver o problema da habitação no país. Vai daí é um disparar de benefícios, isenção de IMT para jovens; garantia pública para crédito a 100% - tudo para o lado da procura, esquecendo o Luís que o problema estava na oferta. Que resolveu este plano? Nada! Apenas agravou! As rendas aumentaram, com o Luís a proclamar que uma renda de 2.300,00 euros por mês era uma renda acessível… mas os preços das casas subiu ainda mais e as rendas sobem degraus como os cogumelos nascem após a chuva… parabéns, Luis, por este brilhante plano…

Seguiu-se o pai:

- Trabalho XXI – este plano, anunciado quase há um ano, já leva uma catrefada de alterações; dezenas de reuniões – hoje será a última reunião para chegar a um acordo. Os patrões, pela voz do presidente da CIP, anunciou ontem que deixam cair todas as medidas que a UGT considera como linhas vermelhas, mas exigem que seja criado um 15.º mês livre de impostos, incluindo a TSU – tal anúncio convenceu-me de que este maléfico código prejudicial para os trabalhadores terá sido mesmo escrito pelo patronato e caucionado pelo governo… Esta mirabolante ideia do 15.º mês não é novidade! A CIP já anda há anos a tentar implementar… forma ardilosa de baixar os salários, ludibriando os trabalhadores em Setembro com um prémio livre de impostos (cujo valor não conta na carreira contributiva para a reforma e cálculos no subsídio de doença e desemprego)- todavia, o Luís já vociferou que o “país não acaba se a reforma não avançar”, pois conta com a mão amiga do “berrador” para aprovar o pacote na Assembleia da República.

Para o Luís, esta operação de markting, como disse o líder da bancada parlamentar do PS, é um “desígnio nacional”, pelo que recomendo que tenhamos cuidado e deitemos a mão à carteira, pois vai sobrar para o povo…

PTRR, plano milagreiro, mais de 22 mil milhões de euros, com 3 pilares: Recuperar os estragos das tempestades; Proteger o país contra futuras catástrofes; Responder melhor às emergências. Tudo muito bonito, tudo muito embrulhadinho em papel celofane…

Uma conferência de imprensa sem direito a perguntas, mais uma. E antes de terminarem o encontro com os ministros e o Luís a cantarem o Hino Nacional, o Luís lançou o ralhete ao povo que o Estado não pode pagar tudo a todos e que vai legislar para tornar obrigatório o seguro dos edifícios contra catástrofes, quiçá ainda com as calças vestidas de CEO da Spinumviva em consultadoria às Seguradoras… falta saber a que preço as seguradoras estão dispostas a cobrir os “barracos” que se encontram em zonas expostas a tufões, furacões, tempestades, incêndios, subidas das águas de rios e ribeiros, etc… preparemos a carteira já exaurida de tão vazia andar para aplaudirmos mais uma mirabolante ideia do CEO da Spinumviva, que só ainda é Primeiro-ministro desta choldra porque o PGR assim quer e o “berrador” não usa a “bala de prata” que possui enquanto lhe der jeito, pois bastava uma Comissão de Inquérito Parlamentar Potestativa à Spinumviva e o Luís, como PM, pum… Mas para baralhar, a CPI potestativa já foi anunciada pelo “berrador”… mas ao Costa.

Como escreveu Miguel Torga, com um genial talento para definir a mentalidade do Pais: “O País ergue-se indignado, moreja o dia inteiro indignado, come e bebe e diverte-se indignado.”.

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