PENSAR ESPOSENDE XXXVI
MÊS DE PRESTAÇÃO DE CONTAS MUNICIPAIS
Ao
ler a notícia sobre a decisão da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim de internalizar,
até 2028, os serviços de higiene urbana que tinham sido externalizados, e que
essa decisão vai poupar aos cofres da autarquia cerca de 500 mil euros por ano,
veio-me à memória as críticas que ouvi sobre o contrato, com a validade de 10
anos, que tinha sido assinado, em 2024, pela Câmara Municipal de Esposende com
a empresa SUMA por valores a rondar os 33 milhões de euros, a que se deve
acrescentar o valor do IVA. Nessa crítica, que julgo ter sido feita na última
pré e campanha eleitoral autárquica, foi dito que este novo contrato era lesivo
para o município de Esposende.
Por
isso, dei atenção à dita notícia da Póvoa de Varzim! O Município poveiro
externalizou o serviço de higiene urbana na parte da cidade – nas restantes
freguesias o serviço é feito pelo Município. A peça noticiosa que li não
específica quais as freguesias urbanas abrangidas. Mas diz a notícia que o
contrato assinado com a empresa privada é de 1 milhão e 600 mil euros por
ano.
Olhando para os números envolvidos, fui fazer uma pesquisa sobre o concelho de
Vila do Conde, até porque nestes três concelhos a sua população mais que duplica
na época balnear.
Tal
como Esposende, o município de Vila do Conde assinou um contrato com a empresa
SUMA pelo prazo de 3 anos, de 1 de Janeiro de 2026 até 2028. Este novo contrato
tem um valor de 15 milhões de euros, um aumento de 56% referente ao contrato
anterior. A Câmara justificou este aumento do valor contratual com a inclusão
de muitos mais serviços no caderno de encargos, tais como a limpeza de praias,
marginais e zonas industriais e campanhas de sensibilização ambiental.
Conforme
se verifica pela tabela acima, o concelho de Esposende é o que menor população
tem; Esposende tem uma área inferior a Vila do Conde e maior do que a Póvoa de
Varzim.
Relativamente
à densidade populacional, o concelho de Esposende é o que apresenta menor
densidade populacional, seguido por Vila do Conde e a Póvoa de Varzim
corresponde à maior taxa de densidade populacional.
Considerando
os valores em causa, fiz um exercício no sentido de apurar qual o valor
aproximado do custo do contrato anual por habitante em cada um dos concelhos.
Relativamente
ao concelho da Póvoa de Varzim, atendendo à notícia de que a privatização
abrangia a área urbana, não conhecendo a área urbana do concelho, optei por
incluir apenas a freguesia da Póvoa de Varzim, tendo as contas sido feitas com
base no número de habitantes apurados antes da agregação de 2013, tendo havido
em 2025 a desagregação das freguesias de Póvoa de Varzim, Beiriz e Argivai.
Também
quero ressalvar que não conhecendo o caderno de encargos de cada contrato, este
é apenas um exercício comparativo, que poderá não ser muito fiel, pelos motivos
que já aduzi.
Perante
os números, diga-se apenas como um mero objecto de comparação aproximada, julgo
ser pertinente ter em atenção as contas do Município de Esposende,
relativamente ao ano de 2025, que serão levadas à reunião de Câmara e da
Assembleia Municipal ainda durante este mês de Abril.
Diga-se
que não ficarei admirado se for apresentado um défice nas contas de um milhão a
dois milhões de euros.
Caso
esta minha especulação se confirme em défice, preparem-se os munícipes, aliás
como fazem os governos centrais e todos os governos locais, para terem um
aumento na tarifa do lixo, que mensalmente é cobrada na factura da água, o
regresso ao pagamento de algumas taxas, como por exemplo das esplanadas e de
publicidade e, quiçá, o ressuscitar da criação da taxa turística e
estacionamento pago, anunciados em 2024 na sessão solene do dia do Município.
Não
quero ser o mensageiro da desgraça, mas não auguro boas notícias nesta matéria.

