PENSAR ESPOSENDE XXXVII

 

TAXA TURÍSTICA


Esta opinião é apenas um contributo a lançar para reflexão colectiva  o que se pretende para o concelho de Esposende.

Já quando em 19 de Agosto de 2024, no discurso da cerimónia das comemorações do Dia do Município, fui crítico com o anúncio feito pelo presidente da Câmara da altura sobre a intenção de estabelecer uma taxa turística e estacionamento pago em Esposende. Continuo hoje com a mesma opinião, agora que a Câmara Municipal deliberou iniciar o processo para implementação da taxa turística no concelho.

Entendo que o assunto terá iniciado “a casa pelo telhado”. Julgo que seria pertinente  pensar-se primeiro sobre que turismo temos e que turismo queremos! Esposende não tem uma estratégia para o turismo. Esposende vive uma percepção de atracção turística.

Em termos de equipamentos hoteleiros, pelo que pude apurar numa busca pela Internet, em Esposende a maior fatia são equipamentos de Alojamento Local, conforme se pode aferir no gráfico abaixo.


Com esta oferta, fica-se com a sensação que o turismo é relevante e que daí poder-se-á obter uma boa fatia financeira em termos de implementação de taxa turística, cuja verba seria empregue na promoção de Esposende, arranjos de ruas, passadiços, etc.

Contudo, apenas por observação empírica e partindo daquilo que o senso comum se apercebe, cerca de noventa por cento dos “turistas” que pernoitam no concelho, entre os meses de Março a Outubro, são Peregrinos que seguem o Caminho da Costa para Santiago de Compostela. Esposende vive de um turismo sazonal – cerca de quatro a cinco semanas – nos meses de Julho e Agosto. Nos meses de Primavera poderão algumas unidades hoteleiras receber grupos de turistas, na sua maioria seniores, até cinco noites.

Quanto aos aglomerados de pessoas que aportam a Esposende no Verão, a maioria vêm assistir aos concertos de Verão – chegam, assistem ao concerto, e regressam à sua origem, deixando para trás o lixo e algum retorno financeiro de consumo nos estabelecimentos de restauração e venda de rua, bem como outros que alugam casas e apartamentos para férias, para além daqueles que possuem segunda habitação e que nos meses de Verão nelas habitam.

Neste momento, Esposende não tem, nem nunca teve, uma estratégia para o Turismo. Nunca se pensou a sério o que se pretendia para Esposende e em que tipo de turismo se quer apostar.

Esposende é uma localidade com praias, dois rios e alguns trilhos de natureza, e condições para criar outros, para explorar. Por isso, seria importante analisar se se deve criar nichos de turismo durante todo o ano ou turismo de massas durante um mês?

Seria pertinente que as entidades competentes, com base nos dados estatísticos que dispõem, começassem por elaborar um Livro Branco para uma Estratégia de Turismo. Ouvir os operadores, os hoteleiros e demais pessoas que estão ligadas a este ramo. De seguida, com as conclusões, elaborar um Livro Verde, que seria o manual de trabalho do executivo para implementar no terreno, ou seja:

Elaborar uma “Estratégia de Turismo para Esposende, 2026-2036”, deveria ser o primeiro passo.

Todavia, deixo no ar algumas questões que poderão ser ou não aceitáveis: Será pertinente cobrar taxa turística ao peregrino que caminha para Santiago? Até porque apenas passam uma noite no concelho e fazem, diga-se, um “turismo sustentável”. Os albergues de Peregrinos, como o das Marinhas, também têm de cobrar taxa turística? Os parques de campismo também devem cobrar taxa turística? E o que pagam as autocaravanas que estacionam uma ou mais noites no concelho às centenas e consomem água e despejam as águas residuais no saneamento público, que julgo não pagarem nada neste momento?

Seria importante, para um futuro sustentável do concelho, que Esposende se tornasse atraente para que o turista sentisse vontade de visitar e daí permitir que a taxa turística não fosse um dissuasor  para escolher Esposende como destino turístico.

É um facto que no debate público a questão central que se poderá discutir é se a taxa turística e o estacionamento pago serão instrumentos de gestão inteligente do território ou novos encargos sobre quem vive, trabalha e visita Esposende?  




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