A POLÍTICA QUE NOS CALHA
O pior da política é a falta de honestidade intelectual para assumir as suas responsabilidades.
“A maioria de nós não escuta
com a intenção de entender.
Ouvimos com intenção de
responder.”
(Stephen R Covey, Escritor e
Consultor)
O actual governo está em funções há
mais de dois anos! Fazendo uma análise a
todo este tempo, apenas percebemos que o governo não governa. Que o governo e a
AD o que tem feito é fazer oposição à oposição. Queixa-se da oposição apenas
porque esta cumpre o seu papel. Os portugueses votaram para a AD governar e os
outros partidos fazer oposição. Manda o bom senso que quem governa, não tendo
maioria absoluta, deve negociar com os outros. Em Democracia, um governo com
maioria relativa não tem alforria para fazer o que quer. Tem, isso sim, de
legislar em conformidade com o seu programa eleitoral e negociar a votação com
a oposição. Isto pede humildade democrática, não arrogância e petulância no
poder! A arrogância da maioria teve o seu último exemplo em António Costa, como
Primeiro-ministro! Não pode apresentar uma proposta e querer que a oposição
traia o seu eleitorado e não defenda a sua visão para o país, cujas intenções
programáticas foram plasmadas no seu programa eleitoral.
Quando um Primeiro-ministro, neste
caso Luís Montenegro, se limita a fazer o papel de um “orador motivacional”,
mas dos mais rascas, daqueles que nem vocabulário tem para arrebatar plateias,
a não ser aqueles submissos dependentes das sinecuras do poder que repenicam
cada palavra do chefe, como é habitual ver-se nos congressos partidários, a
proclamar “a substituição da mentalidade
de comodismo por uma cultura de ambição, superação e excelência”, o “fim do
conformismo”, o “exemplo da superação de ter a mentalidade Ronaldo”, tudo isto o
triste vocabulário futeboleiro… Já agora, estranhei não ter Montenegro ainda
apelado aos portugueses a “mentalidade Montenegro”, o videirinho, o fundador da
Spinumviva, eventualmente usando os “contactos políticos” para prosperar…
Na Educação, o “ministro maravilha”,
incensado pela imprensa, o que entrou de “mansinho” ao abrir os bolsos e repor
a carreira aos professores mais velhos, aqueles que já estavam praticamente na
reforma, fazendo crescer o pecúlio a estes e calando os sindicatos,
nomeadamente o Nogueira, um dos bafejados por tal decisão. Com esta auréola, o
ministro lá foi preparando o terreno: Residências estudantis abertas a todos,
não só àqueles de baixos rendimentos; desmantelamento das direcções-gerais,
criando uma nova orgânica, dando origem a um Instituto Público que vai gerir a
contratação de professores tal como se de uma empresa privada se tratasse. Estando
a alterar o Estatuto da Carreira Docente que vai tornar os Professores uns profissionais
sem carreira e tarefeiros, passe algum exagero… Mas tudo está calado: sindicatos,
professores, imprensa…
O “ministro estrela”, chegou e
lançou o labéu sobre o governo anterior, acusando-o de “incompetente” por não
saber quantos alunos não tinham professor… isto vai acabar, afirmou… Só que,
passados dois anos, eis que o governo continua sem saber quantos são os alunos
com falta de professores a pelo menos uma disciplina… agora é o caos na
correcção dos exames nacionais. Para o ministro, está tudo bem. Se há falhas, a
responsabilidade é do seu antecessor na pasta… siga para bingo.
Já a Ministra da Saúde, dois anos
depois de prometer resolver tudo no SNS em 60 dias, estando tudo muito pior,
gastando mais dinheiro, criando um défice no SNS, vem, a exemplo do seu chefe de
governo, asseverar que a culpa do estado em que está o SNS é dos Imigrantes,
por isso tem de contar com os privados e o sector social… aliás, o retalhar, o
cortar, o complicar, é o ponto de partida para defender a privatização do
negócio da Saúde… Assim vamos, entretidos no espírito futeboleiro e as
pulseiras que o CEO da Spinumviva, qual “Zandinga”, ofereceu como “amuletos da
sorte” aos jogadores da selecção… o ridículo assim exposto é o sinal dos tempos…
Leitão Amaro, o ministro demagogo do
pior, não tem pejo em recorrer a “projecções falsas” para defender um maior
controlo da entrada de estrangeiros em Portugal. Só não sei é se ele quer
controlar a entrada dos estrangeiros ricos como residentes não habituais, dos “vistos
gold”, dos nómadas digitais, dos investidores da especulação imobiliária… mas
parece-me que é mais aqueles pobres que fogem da miséria e da guerra dos seus
países e que cá têm abertas as portas das estufas, da construção civil, das
limpezas, da Glovo, da Uber heats, etc…
Já a Ministra do Trabalho,
enfurecida com o chumbo do Código Laboral, vociferou que não está derrotada e
que vai voltar à carga. Agora agarra-se à Inteligência Artificial para defender
as mudanças no trabalho, não se importando de continuar a “guerra” com os
trabalhadores e com os portugueses, pois ela, uma das mais ricas do governo,
com cerca de cinco milhões de euros de património, quiçá a maioria herdado, com
o dinheiro no banco só de juros obtinha um rendimento mensal de seis mil euros…
Já quanto à PSU, onde mentiu
declaradamente e sem corar, tal como na amamentação no Código do Trabalho, que
nas prestações sociais havia burlas de 159 milhões de euros, prontamente
desmentida pelos serviços que tutela, isto tudo para virar toda a gente contra
os pobres… Com toda a arrogância, saúda o PS pela aprovação da PSU, mas que “o
Chega teria sido o nosso parceiro preferencial”, afirmou Palma Ramalho… toma PS,
mas a troca da vinda de dinheiro de Bruxelas, que o PS aceitou criar a PSU,
falou mais alto…
O PSD está em estado de levitação.
Vem o Bugalho, agora içado a porta-voz do PSD, imigrante em Bruxelas, gritar
que a “imigração está a pôr em causa a “coesão social portuguesa””. Vai daí,
num laivo de idiotice perfeita, proclama que o PSD vai avançar com audições parlamentares
sobre a imigração e que vai chamar a depor José Luís Carneiro, anterior MAI, e,
digo eu, quiçá, António Costa…. Será bom que o PSD faça isso, mas que também
chame os líderes das organizações patronais e das organizações do sector social
para estes poderem dizer o que pediram ao governo da altura… não se esqueçam
que estas entidades aplaudiram a criação da manifestação de interesses…
Já agora, gostava de ver a cara do
Montenegro, do Leitão Amaro, do Bugalho e restante moscambilha, se os
imigrantes da construção civil, da agricultura, da restauração, da recolha do
lixo, da entrega de comida, dos TVDE, da limpeza, etc., fizessem greve durante uma
semana… seria interessante saber a reacção deles e dos do Chega e Iniciativa
Liberal…
Enquanto este governo que não
governa se entretém em discussões de taberna, os números dizem-nos que
aumentaram os milionários em Portugal, enquanto o português mediano empobrece.
Em 2025, foram transferidos de Portugal, das contas bancárias, 9 403 milhões
de euros para os paraísos fiscais, com a Suíça à cabeça, são mais 1 325 milhões
de euros do que em 2024. Quem sabe se muito deste dinheiro não teve origem nos
mais de 350 milhões de euros que o governo AD ofereceu anualmente às empresas
com a redução da taxa de IRC? Por isso, importa recuperar esta massa indo aos
bolsos esmifrados dos pobres que recebem apoios sociais… é o que se prepara com
tanta opacidade na PSU…
O que falta a quem nos governa é
decência e honestidade política!
