O BURLESCO QUE NOS GOVERNA

 Com toda a ênfase ao seu alcance, o governo vai-nos brindando com trejeitos obtusos inseridos numa realidade paralela só ao alcance dos espirituosos. Será que vivemos todos no mesmo país?


Não sei se por efeitos da canícula, que nos tem mortificado a vida, parece que tal afectou a moleirinha da moscambilha que nos governa. Quiçá, fruto da soalheira que nos assarapanta, temos assistido a uns génios motejadores que têm transformado as últimas semanas no éden do bobo medieval.

Os novos dados sobre a população que o INE publicou, deu azo a um tratado demonstrativo da estupidificação que nos querem aplicar, com o Leitão da presidência a proclamar vitupérios contra os antecessores na governança da choldra, apresentando umas contas completamente falsificadas que um aluno da 4.ª classe fazia com uma perna às costas… isto sobre a entrada de 300 mil imigrantes por ano no burgo… escondendo o “charlatão” que o movimento migratório é feito conforme a economia precisa, mas jamais tal fluxo de entrada continuaria… mas, próprio dos “arlequins”, quis justificar a defesa da caricatura reformista do impedimento da entrada de imigrantes no país que promoveu, em conluio com a seita… o que ele merecia era com um encharcado na moleirinha…

Agora vivemos a rábula da digitalização dos exames nacionais do ensino secundário. Esta é uma das reformas proclamadas pelo Montenegro, mas iniciada pelo Costa com o PRR, com ar assolapado de sentido de Estado, mas não disfarçando os trejeitos jocosos e de incompetência que o caracterizam. Só que a coisa não correu bem! Descoberto o falhanço, logo saltou a terreiro, não sendo possível culpar os imigrantes, o ministro responsável por tamanho desnorte a proclamar que a culpa era de um agrafador que agrafou o QRCode… era dos professores e das escolas… e acusar os pais de imprudentes por terem marcado férias para esta altura dos exames – confiando os pais e os alunos no calendário que ele próprio anunciou…

Depois foi um corrupio de gente a fazer directos televisivos do local onde supostamente era o sítio secreto do depósito dos exames em papel; gente a fazer noitadas para encontrar as páginas em falta na atabalhoada digitalização; o ministro a não divulgar que empresas foram contratadas para fazer este trabalho ciclópico - que deveria ser rigoroso e infalível, mas que não é mais do que uma trapalhada, até porque o “ministro maravilha” da imprensa decidiu implodir o Ministério da Educação, criar novos institutos, mandar para os lugares de origem cerca de 50% dos profissionais carregados de experiência e que tratavam de toda esta logística, criar uma coisa chamada EduQA, com gente nomeada por ele e os pares do conselho aprovaram o representante das escolas privadas para presidir ao novo mastodonte, para externalizar este serviço e deu no que deu... O Nando maravilha, feito saltitão, e com ar pimpão, lá afirmava que tudo corria com normalidade, adiando prazos… mas continuando mudo e quedo sobre os contratos das empresas… não fosse um ministro com boa imprensa e com o aplauso da coorte comentadeira que prolifera na mixórdia televisiva e jornalística e o Nando já tinha ido ao fundo neste jogo…

O ano transacto, com algumas centenas de exames de Filosofia, o sistema da digitalização borregou, deu problemas. Mas a teimosia, a leviandade, a soberba, desta gente liderada pelo “rural de Espinho”, que vive convencida de toda a sua intocabilidade, vive uma realidade paralela, uma bolha perigosa que julga o pouco pelo todo, decidiu avançar com o sistema, que falhou com centenas, agora com centenas de milhares de provas. Será que foi feito o controlo de qualidade às plataformas, às máquinas para digitalizar os exames? Parece-me que não…

Depois disto, ninguém com responsabilidades políticas assumiu a responsabilidade. Apenas endereçaram as mesmas para os professores, para as escolas (que enviaram tarde os exames). Agora, no dia que garantiram que as classificações iam ser publicadas, a conversa é a de que se não acontecer a culpa é do júri dos exames e das escolas… É este o espírito desta gente em coisas burlescas que “fez mercancia na feira política”.

Este é o exemplo, para já nem falar no espírito reformista do CEO da Spinumviva na área da Saúde, que reflecte bem a forma funesta como este governo trabalha.

Para ajudar, surge o Bugalho de papel na mão, a esbracejar, naquele ar de imberbe alçado ao estrelato de porta-voz do PSD, com a bandeira partidária, trazendo a boa-nova de que o Ministério da Educação iria pagar as horas extraordinárias aos professores, que, digo eu, à sua custa, estão a tentar salvar esta sarrabulhada que o Nando, o Luís e o ministro percussionista causaram, como se o pagamento de trabalho extraordinário não fosse uma obrigação por Lei. Com esta tirada do Sebastião, fiquei com a dúvida de quem é que decide e anuncia: se é o governo ou se é o partido… Depois aparece o Luís, que nas últimas semanas andou a angariar milhas das companhias aéreas, que resolveu, depois de já não ter motivos futeboleiros para continuar a “piscinar” o Atlântico, ter o topete de falar sobre o problema dos exames à entrada do NOS Alive, tendo como pano de fundo o stand da Solverde, a tal cliente da Spinumviva, numas justificações bacocas e uns trejeitos de quem está a inventar…

E assim estamos, como país, nas mãos de gente sem escrúpulos e sem honra para reconhecer o erro. É isto o burlesco onde nos encontramos.




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