VERGONHA ALHEIA

Mais incomodado do que quem devia



Em tempos já longínquos, a minha avó, uma mulher analfabeta, mas com uma inteligência acima da média, sagaz e cáustica, sempre me alertou que a vergonha é um sentimento que “mata” aqueles que têm carácter, mas que a “vergonha alheia” era algo que nos corroía as entranhas mas que devíamos lutar para a desmascarar.

Ora, “vergonha alheia” é aquilo que nós conseguimos descrever quando nos sentimos embaraçados e constrangidos quando vemos outros a ter comportamentos ridículos e incómodos para a sociedade – o pior é que esses nunca parecem incomodados com o seu comportamento.

Lembrei-me desta lição da minha avó quando há dias senti mesmo “vergonha alheia” com os comportamentos expostos internacionalmente ao risível pelo líder do governo português e líder da coligação com o maior número de deputados eleitos na Assembleia da República; e o populismo do líder do partido com o segundo maior número de deputados eleitos na Assembleia da República.

Luís Montenegro, ao discursar na Alemanha, num encontro com empresários alemães, com o seu ar vaidoso, erguido no alto dos seus tamancos, resolveu enxovalhar o país ao falar em inglês – que se vê que é macarrónico, diga-se: de praia -, com toda a soberba para se mostrar inteligente à plateia, e, mesmo a ler, cometeu um erro de pronuncia ao trocar a palavra futuro, em inglês future, por Führer, que todos sabemos qual a diferença,  ainda por cima em frente aos alemães.

Só a vaidade de quem parece viver num mundo à parte, não reconhecendo que não domina a língua estrangeira – e não é a primeira vez que assistimos a tão vergonhoso desempenho -, é que o leva a falar numa língua que não domina, em vez de falar em Português – há os tradutores para trabalharem?

Todavia, também seria embaraçoso para os tradutores terem de traduzir o “será-lhe” em vez do ser-lhe-á… é que até na nossa língua o “trabalhador” Luís dá “patadas” na gramática…



Por sua vez, André Ventura, o rei do populismo e do ridículo, não contente pela figura cómica que fez, também perante os alemães, quando se indignou nas redes sociais pelo Presidente da República, à data Marcelo Rebelo de Sousa, se deslocar à Alemanha, às custas do erário público, para participar num “festival de hambúrgueres”, quando, na realidade, Marcelo ia participar, a convite do Presidente alemão, na Bürgerfest, um evento que promove o envolvimento cívico dos cidadãos, tendo sido notícia no canal europeu Euronews.

Não tendo aprendido nada com o escárnio a que foi exposto internacionalmente, decidiu continuar a fazer figura de “bobo da corte”, quando publicou um vídeo nas redes sociais a chamar a atenção para o facto de em Amesterdão, nos Países Baixos, ter sido decidido proibir a publicidade a carne, anunciando o biltre, do alto dos seus tamancos da demagogia que esta proibição era por causa dos muçulmanos, que eles andam aí a invadir a Europa. O pacóvio disse isto com toda a sua verve para enfurecer o seu “rebanho”, esquecendo-se de que os muçulmanos que ele anuncia só não comem carne de porco, pois comem carna de vaca, de cordeiro, etc.

Mais uma vez, a Euronews passou no seu canal televisivo uma notícia a expor ao ridículo o líder do Chega.



E assim estamos nas mãos de dois tipos desprovidos de um pingo de carácter, mas eivados de populismo e demagogia, que deixam pudibundo os Trumps e Orbans deste mundo.

Contundo, estes dois populistas, tipos a quem não se deve comprar um carro em segunda mão, tiveram, há pouco mais de um ano, 18 de Maio, os dois juntos cerca de três milhões e quatrocentos mil votos.

Destes mais de três milhões quantos serão os que têm “vergonha alheia”?








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