VERGONHA ALHEIA
Em tempos já longínquos, a minha avó, uma mulher analfabeta, mas com uma inteligência acima da média, sagaz e cáustica, sempre me alertou que a vergonha é um sentimento que “mata” aqueles que têm carácter, mas que a “vergonha alheia” era algo que nos corroía as entranhas mas que devíamos lutar para a desmascarar.
Ora, “vergonha alheia” é aquilo que nós conseguimos descrever quando nos sentimos embaraçados e constrangidos quando vemos outros a ter comportamentos ridículos e incómodos para a sociedade – o pior é que esses nunca parecem incomodados com o seu comportamento.
Lembrei-me desta lição da minha avó quando há dias senti mesmo “vergonha alheia” com os comportamentos expostos internacionalmente ao risível pelo líder do governo português e líder da coligação com o maior número de deputados eleitos na Assembleia da República; e o populismo do líder do partido com o segundo maior número de deputados eleitos na Assembleia da República.
Luís Montenegro, ao discursar na Alemanha, num encontro com empresários alemães, com o seu ar vaidoso, erguido no alto dos seus tamancos, resolveu enxovalhar o país ao falar em inglês – que se vê que é macarrónico, diga-se: de praia -, com toda a soberba para se mostrar inteligente à plateia, e, mesmo a ler, cometeu um erro de pronuncia ao trocar a palavra futuro, em inglês future, por Führer, que todos sabemos qual a diferença, ainda por cima em frente aos alemães.
Só a vaidade de quem parece viver num mundo à parte, não reconhecendo que não domina a língua estrangeira – e não é a primeira vez que assistimos a tão vergonhoso desempenho -, é que o leva a falar numa língua que não domina, em vez de falar em Português – há os tradutores para trabalharem?
Todavia, também seria embaraçoso para os tradutores terem de traduzir o “será-lhe” em vez do ser-lhe-á… é que até na nossa língua o “trabalhador” Luís dá “patadas” na gramática…
Não tendo aprendido nada com o
escárnio a que foi exposto internacionalmente, decidiu continuar a fazer figura
de “bobo da corte”, quando publicou um vídeo nas redes sociais a chamar a
atenção para o facto de em Amesterdão, nos Países Baixos, ter sido decidido
proibir a publicidade a carne, anunciando o biltre, do alto dos seus tamancos
da demagogia que esta proibição era por causa dos muçulmanos, que eles andam aí
a invadir a Europa. O pacóvio disse isto com toda a sua verve para enfurecer o
seu “rebanho”, esquecendo-se de que os muçulmanos que ele anuncia só não comem
carne de porco, pois comem carna de vaca, de cordeiro, etc.
Mais uma vez, a Euronews passou no seu canal televisivo uma notícia a expor ao ridículo o líder do Chega.
Contundo, estes dois
populistas, tipos a quem não se deve comprar um carro em segunda mão, tiveram, há
pouco mais de um ano, 18 de Maio, os dois juntos cerca de três milhões e
quatrocentos mil votos.
Destes mais de três milhões
quantos serão os que têm “vergonha alheia”?
