HABITAÇÃO – MANIFESTAÇÕES
Nos últimos dias temos assistido a manifestações pela falta de habitação e contra o preço das casas e valor das rendas
A exemplo de outros países europeus,
Portugal também tem assistido a manifestações a reclamar a falta de habitação e
dos custos exorbitantes das mesmas, comparando com o nível salarial que por cá
temos.
São movimentos inorgânicos de jovens que
iniciaram esta luta pacífica, montando tendas como exemplo metafórico da falta
de habitação acessível. O Rossio, em Lisboa, e a Praça D. João I, no Porto,
foram os primeiros locais onde eclodiu os desagrados, tendo os mesmos se
propalado a outras cidades.
Dirimia-se o direito à manifestação com
as tendas montadas. Passou a discutir-se a hora a que tais manifestações tinham
de terminar. Em muitas outras que ocorreram anteriormente, similares com a
montagem de tendas, inclusive uma da JSD, liderada por um hoje deputado que na
bancada do seu partido defende a ilegalidade dos “tendistas” de hoje, nunca os
governos da altura foram em busca de uma Lei que proibisse e demarcasse um
horário para o fim do acto manifestador que “acampou” em Lisboa e no Porto.
Mas um governo sem qualidade. Um
Primeiro-ministro totalmente incapaz para o cargo. Um ministro da Administração
Interna acossado pela extrema-direita (com uma CPI para “vasculhar” os seus
mandatos à frente da PJ). Era o caldo perfeito para muscular a polícia e
desancar nos manifestantes.
Desenterraram um Dec-Lei de 1974, para
impedir o prolongamento das manifestações para além das 0,30 horas e retirar o
material ornamental de suporte ao manifesto.
O certo é que não faltou músculo labial
no início ao Presidente da Câmara do Porto e ao Primeiro-ministro. Pedro Duarte
anunciou que seria “absolutamente implacável”; já Montenegro acusou de
“egoístas” as associações promotoras das manifestações e os partidos que as
apoiam, e que estas “importações” não tinham “respaldo na sociedade portuguesa”,
para prontamente colocar o seu gabinete a espalhar um vídeo de um manifestante
a palrar sobre a casa de Montenegro, tendo logo este aproveitado a sua
especialidade: a arte da vitimização, para se condoer com um tijolo… depois disto desapareceu do radar
público… deixando Neves a “ordenar” cacetada em cima, mas só um cassetete…, que
teve um efeito multiplicador que só o milagre de Jesus Cristo na multiplicação
dos peixes pode pedir meças ao “milagre” do Neves…
Pela Assembleia da República não faltou
por lá, especialmente pelo lado da seita, quem gritasse “carrega em cima
deles”, “eles não precisam de casa, precisam é de tomar banho”, ou
“encostem-nos à parede”. Entusiasmado com tais ditosos ditames, o “troglodita”
ministro gritou em fúria: “o governo não vai ceder aos gritos da rua”… É isto
que temos na Assembleia que elegemos.
Com o Montenegro desaparecido e o Neves
a liderar as hostes caceteiras, para mostrar ao líder da seita que até está a
ir ao encontro do que ele gosta, desliguei um pouco deste continuado estado de
degradação de respeito pelo direito a manifestar e de assistir a mais uma
machadada na credibilidade das instituições e colocar mais uma nódoa na
Democracia.
Estava eu no meu desligamento deste
caminho perigoso em direcção a um abismo, recebi uma mensagem de um amigo a
comentar as declarações do Benjamim, o antigo edil cá do burgo, que, a um ano
do fim do mandato, “fugiu” atrás do “tacho” em Lisboa, mas que no Natal
anterior disse não aceitar e que não era esse o seu plano…
Respondi que não sabia de nada, mas o
amigo insistiu para eu ouvir.
Ciente de que dali nada viria de bom,
até pela incompetência de tal figura e da verborreia sectária que apenas sabe
expelir, lá fui com a box para trás em busca das declarações da figura triste
que, eventualmente, não passa de um “cabo de esquadra” do Soares, do Montenegro
e do PSD.
Lá comecei a ouvir, e o que ouvia era
bem pior do que aquilo que eu imaginava. No alto dos tamancos da incompetência
e da arte “fugitiva” do cargo para que foi eleito em Esposende para o lugar
oferecido pelos amigos, não pela sua competência e capacidade, mas pela sua
“fidelidade” aos dois “donos do PSD”, Benjamim vociferava contra a juventude de
hoje por não estar disponível a fazer sacrifícios como fizeram os seus avós e o
pai, que para construírem uma casa tiveram de emigrar… Pasmei com tal desaforo
de um triste “boy laranja” (também há boys de outras cores). Comentei para mim
mesmo: este foi escolhido para fazer figura de “bobo da corte”.
O maior problema nem é no que ele disse,
é, sim, na incompetência dele para o cargo e do governo… E, como sempre, no dia
a seguir lá vem o costumeiro eu não quis dizer isso…
Na situação em que as coisas se
encontram, Montenegro viu-se na necessidade de desviar as atenções, quer da sua
ausência, quer da porrada despachada para cima dos manifestantes. Nestas coisas há sempre um “bobo da corte” para lançar à fogueira e distrair o cerne dos
assuntos em demanda. Nada melhor mesmo do que aquele que foi escolhido para
presidir ao Instituto que gere a habitação pública na choldra em que os
governos PS e PSD/CDS transformaram este País em termos de habitação e não só...
O “bobo” escolhido cumpriu o seu papel.
Desviou as atenções, pois colocou os comentadeiros do lixo televisivo, os jornais
e as redes sociais a fervilhar com a douta solução que o Benjamim formulou para
resolver a falta de habitação pública a preços que mais de 80% dos portugueses
possam pagar… “façam sacrifícios como o meu avô e o meu pai…”
O que me surpreendeu foi o Benjamim não
ter dado o seu exemplo… pois ele, que sempre que tinha de ser candidato cá no burgo, proclamava que aceitava o cargo com sacrifício pessoal e da família… ele que
tinha uma “chafarrica” de projectos, vivia numa casa arrendada, assumiu a
presidência da Junta da sua Freguesia por renúncia ao cargo do primeiro eleito;
saltou depois para vice-presidente da Câmara e depois para presidente… sempre
com grande sacrifício, perorava… neste seu trajecto deixou de ser inquilino
para se tornar proprietário, com moradia construída num terreno propriedade da
família depois de, ao que parece, eventualmente, uma alteração ao PDM… foi ao
banco pedir um empréstimo. Cheio de sorte esteve, porque há seis anos os juros no
crédito à habitação não eram tão altos e o preço da construção não estava como
agora ao nível do ouro… e a casa até deve estar para lá de meio milhão, digo,
não sei, porque não ando nos negócios das construções… aos seus filhos já não
necessita de mandar fazerem os sacrifícios do Avô e do bisavô… depois andam, ao
que parece, eventualmente, por aí os títeres?
O certo é que o seu chefe, Pinto Luz,
ministro que detém a pasta da habitação, no dia seguinte veio publicamente
indicar a porta de saída ao Benjamim, pois disse que não se revia no que o seu subordinado
tinha dito…
Portanto, não descurem a discussão do
grave problema da habitação para perderem tempo com o Benjamim e o governo,
pois isto não passou de uma mero exercício de diversão na corte…