A TRÁGICOMÉDIA POLÍTICA

O populismo e a trapaça de braço dado


Olhamos para a comédia em que está urdida a política nesta choldra onde vivemos, e ficamos, os mais velhos, com a sensação que estamos a assistir ao filme “Os três da vida airada”, “cocó, reineta e facada”.

Este texto procura ser uma sátira política, pois se persistisse alguma dúvida sobre o embuste do “não é não” anunciado em 2024, nos últimos dias deu à costa a verdade. Montenegro e Ventura parece andarem em concubinato, quiçá fruto das reuniões secretas que há dois anos teriam tido.

As encenações de “comadres” desavindas faz parte do guião do filme, pois o “peregrino de Fátima” e o “misseiro” da igreja de São Nicolau têm a bênção do “anjo” Branco, o Presidente da Mesa da Assembleia da República, Advogado de negócios, que, incompreensivelmente, é deputado em regime de meio tempo, quando, ao que parece, eventualmente, a lei obriga o desempenho de tais funções em exclusividade – se o nosso país fosse politicamente normal, a figura maior da Assembleia da República e a segunda figura do Estado nunca poderia estar a “servir dois senhores”…

É um logro democrático haver deputados, e são muitos entre os 250, que foram eleitos pelo povo, a desempenhar funções a meio tempo. Pior é o presidente de todos os parlamentares estar também a meio tempo de funções. Isto é vergonhoso.

É óbvio que os últimos acontecimentos e acordos entre a AD e o Chega, vieram aclarar o que já há muito se percebia: ambos estão de acordo. Só que para enganar os eleitores, gostam de teatralizar e jogar ao faz-de-conta.

Agora que estamos em tempo de Mundial de Futebol, está na moda a troca de cromos dos jogadores das selecções apuradas para o torneio.

Por cá também assistimos à troca de cromos entre a AD e o Chega na Assembleia da República.

Ora, o governo já fez a vontade ao Chega com a Lei da Imigração e a Lei da Nacionalidade, reforçando agora esse acordo com a validação do regresso à discussão parlamentar dos assuntos da Lei da Nacionalidade que o Tribunal Constitucional chumbou.

Para troca destes cromos, o governo já apresentou ao Chega o novo Código do Trabalho, as alterações ao Tribunal de Contas, com a retirada de poderes a este, bem como o Tribunal Constitucional, trocando o cromo da vontade do Chega em ver os pobres que recebem subsídios a trabalhar de borla, com o governo a apresentar atabalhoadamente a PSU (Prestação Social Única), com o número do Chega a votar contra a aceleração da discussão parlamentar desta Lei, pois sabia que com a abstenção do PS era feita a vontade ao governo.

Os últimos cromos em troca são a revisão da Constituição, pedida pelo Chega, com o aval da AD, e abraçada pelo “anjo” Branco, que fomentou um “golpe constitucional” ao aceitar o adiamento da revisão da Constituição até 30 de Dezembro, quando legalmente isso não é permitido, sendo que este cromo, eventualmente, é trocado pelo silêncio de Ventura sobre a Spinumviva, não avançando com uma CPI potestativa.

É assim nesta tragédia política que vivemos uma comédia!  



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