O QUE DIZ O JN
Folheei o JN de hoje, 2 de
Setembro, e o que posso dizer é que nada se aprofunda na imprensa portuguesa.
Tudo é superficial!
Ao correr das páginas lia-se:
- Merkel e os migrantes – virou
moda a manipulação semântica, pois os refugiados são chamados de migrantes, digo eu –
diz que os que não perspectivam receber asilo devem ser repatriados. Os outros
devem ser distribuídos de forma justa entre os países membros da UE. Acrescento eu, Merkel
quer agora ser santificada, tipo santinha da ladeira, com as falinhas mansas
sobre os “migrantes”. Contudo, não lhe ouvi uma palavra de indignação pelo muro
construído pelo ditador que governa a Hungria. Não lhe ouvi um suspiro contra a
guerra que devasta as populações da Síria, do Afeganistão, da Líbia, etc. Onde
estão aqueles que tanto enalteceram a invasão do Iraque – onde tudo começou – e
a “Primavera Árabe”? É que o Ocidente tem muita responsabilidade nesta
catástrofe humanitária que está a atingir estes países. Negócio do armamento de
guerra a quanto obrigas?
Contudo, já morreram mais de 30
mil pessoas, só este ano, a fugir à guerra!
- Aulas arrancam sem todos os
professores – mesmo tendo sido adiado em uma semana o início das aulas, digo eu,
porque o jornal não adiantou mais nada.
- Falta material básico em 91%
das USF (Unidades de Saúde Familiar) – para Paulo Macedo e para a coligação de
direita está tudo bem com o Serviço Nacional de Saúde, digo eu, porque o jornal
não quis saber mais nada.
- Licença obrigatória de 15 dias
para os pais – Os pais portugueses só são pais durante 15 dias? Pergunto eu,
pois o jornal não aprofundou esta importante temática.
- 1.º debate televisivo: CDU e BE
em sintonia – para derrotar o PS, digo eu, como se fosse o PS que estivesse no
governo.
- Costa diz que o PS poderá repor o pagamento do subsídio de Natal na totalidade no mês de Novembro – o governo
agora paga em suaves prestações mensais, digo eu.
- Rui Rio adia as presidenciais
para Outubro e acusa Marcelo de ser dissimulado – por aqui se fica, digo eu. Todavia, acrescento eu, os
Socialistas, ou alguns Socialistas, deveriam aprender a lição da direita, que
adia as presidenciais para depois das Legislativas, pois até lá estão todos
unidos para tentarem conquistar a vitória a 4 de Outubro. Apelo aos que se
dizem Socialistas: unam-se para derrotar a direita e a extrema-esquerda. O PS
está sozinho numa luta desigual. Mais tiros nos pés é como oferecer rebuçados
aos adversários.
- Novo Banco – Fosun avança, mas
Anbang pode voltar – Carlos Costa e o governo anda aos zig zags, digo eu, pois o contribuinte
vai pagar o desmando desta gente com língua de palmo. O futuro dirá!
- Anuidade dos cartões de débito
sempre a subir. Desde 2009, a anuidade subiu em média 10%. Um país perfeito
para o mundo da banca, digo eu.
- 7 em cada 100 pessoas não pagam
prestação da casa – a economia no seu melhor, segundo anuncia o governo…, digo eu.
- China – o Banco Central volta a
injectar capital – também toca aos chineses o ataque dos ditos mercados
usurários, digo eu.
- A dívida global das
administrações públicas volta a agravar-se em Julho. Dívida sobe aos 227 mil
milhões de euros. Ou acordamos para este flagelo, que nos custa 9 mil milhões
por ano só em juros e prebendas aos credores, ou vamos passar a pão e água…,
digo eu.
- A UTAO (Unidade Técnica de
Apoio Orçamental) diz que o défice deverá ficar em 4,9%, tendo em conta o valor
apurado no 1.º semestre. Estou sentado à espera que Passos Coelho, Paulo
Portas, Maria Luís Albuquerque e Pires de Lima venham à televisão falar do
êxito das medidas do seu governo e da subida da economia. Lembro que o governo
assumiu o compromisso com Bruxelas de um défice de 2,7% no final de 2015.Entretanto,
o Pires de Lima já fez profissão de fé de que o défice vai ser inferior a 3%.
Como o que ele diz é uma sentença, tal qual a descida da taxa do IVA para a
restauração, podemos todos acreditar no que ele diz, digo eu.
- Um cordão humano formou-se
contra a privatização dos STCP e do Metro do Porto. O JN não quis saber mesmo
junto do governo o motivo de tanta pressa nesta privatização por ajuste directo?
Assim vamos na imprensa!