Mensagens

QUEM TEM MEDO DO SYRIZA? (I)

Hoje, 25, milhões de gregos vão às urnas eleger um novo parlamento e um novo Primeiro-ministro. As sondagens apontam para a vitória do Syriza, um partido de esquerda – apodado de esquerda radical. Perante os resultados apontados pelas sondagens, as últimas semanas foram férteis no aparecimento de muita gente de renome na política europeia e mundial a mostrar-se muito preocupados com o futuro dos gregos, caso se confirme nas urnas as projecções apresentadas: a vitória do Syriza. Em Portugal andam muitos articulistas e debitadores de opinião própria muito afanados a perorar e a escrevinhar do perigo que comporta a possível vitória do Syriza. Querem fazer crer aos portugueses que a vitória do Syriza será um problema para Portugal. Mas outros há que também não têm pejo de se vangloriar pela possível vitória do Syriza, não deixando de considerar que tal desiderato do partido liderado por Tsipras será benéfico para Portugal. Até os líderes europeus, a começar pelos alemães, procurar...

ANO NOVO, VÍCIOS ANTIGOS*

“Eu não me envergonho de corrigir os meus erros e mudar de opinião, porque não me envergonho de raciocinar e aprender”. ALEXANDRE HERCULANO É comum dizer-se: “Ano Novo, Vida Nova”! Mas o Ano Novo traz vícios antigos! E os vícios antigos que nos acompanham na entrada no Ano Novo estão plasmados na mensagem de Natal do Primeiro-ministro. Coelho, na noite do dia 25 de Dezembro 2014, brindou os portugueses com uma inenarrável mensagem natalícia, a exemplo do que já tinha feito nos anos anteriores por esta mesma altura, pois consubstanciou o seu discurso alicerçado em “aldrabices”. Não bastou a arte da sonegação da verdade na campanha eleitoral de 2011. Passos Coelho continua igual a si próprio: imbuído de um autismo atroz; alguém que não vê, ou não quer ver a realidade; alguém que quis ser poder para destruir toda a classe média de um País? Passos Coelho mostrou ter um topete especial ao afirmar que: «Em 2015, haverá uma recuperação assinalável do poder de compra de muitos Po...

A MENSAGEM DE ANO NOVO DE CAVACO

Se porventura algumas dúvidas houvesse sobre o comportamento de Cavaco Silva no exercício das suas funções de “suposto” Presidente da República de Portugal, elas foram completamente dissipadas na mensagem de Ano Novo, no dia 1 de Janeiro. Cavaco Silva presenteou os portugueses, neste início de ano, com um discurso próprio do líder de um partido no governo. Aliás, Cavaco percorreu a mesma retórica discursiva que tinha sido apresentada por Passos Coelho na mensagem de Natal, de 2014. Neste discurso, o Presidente da República demonstrou que nunca deixou de ser um líder partidário. A sua verve para com as imaginárias melhorias da economia e do desemprego em Portugal são o exemplo acabado do comportamento de Cavaco Silva enquanto presidente da República. No exercício das funções para que foi eleito pelos portugueses, Cavaco Silva nunca foi o presidente de todos os portugueses – não foi por acaso que foi o presidente reeleito com a pior votação jamais obtida pelos seus antecessores e ...

FIGURAS E FACTOS DE 2014

É comum fazer-se um balanço do ano que termina. Agora que estamos no final de 2014, importa fazer um exercício sobre as figuras e os factos que marcaram o ano que hoje finda. Sendo este um exercício subjectivo, mas eivado, em alguns dos acontecimentos, de objectividade em muitos acontecimentos e figuras marcantes deste ano, limito-me a olhar com subjectividade para 2014. Em termos positivos, o ano que hoje termina, coloco o Papa Francisco como a figura mais marcante de 2014. Não só pelo facto de ter dado um abanão e sacudido o cotão das bafientas instituições da Igreja Católica, que se fecharam em si mesmas, criando um antro de secretismo à volta de casos que envergonham a Igreja, mas pelo facto de não ter mordaças para acusar os regimes políticos que enaltecem o poder financeiro e económico – o poder que mata – em detrimento das pessoas. Por tudo o que disse e fez, o Papa Francisco é, sem dúvida, a figura mais marcante de 2014, até porque é citado por todos, dos Católicos aos a...

O VALOR DAS PESSOAS

“ Um dos paradoxos dolorosos do nosso tempo reside no facto de serem os estúpidos os que têm a certeza, enquanto os que possuem imaginação e inteligência se debatem em dúvidas e indecisões”. Bertrand Russell Permita-me, Caro leitor, iniciar a minha crónica desta semana com uma citação de Bertrand Russell. Este pensamento foi o mote para me permitir abordar alguma verborreia expelida, recentemente, por Pedro Passos Coelho. E o que ele disse parece ser o retrato fiel de como Passos Coelho despreza as pessoas, despreza os portugueses. Principalmente aqueles que mais dificuldades passam na vida. Que o cidadão comum diga que “quem se lixa é o mexilhão”, é um jargão aceitável. Agora, o que é intolerável é que o Primeiro-ministro afirme que «Ao contrário do que era o jargão popular de que quem se lixa é o mexilhão, de que são sempre os mesmos (...), desta vez todos contribuíram e contribuiu mais quem tinha mais, disso não há dúvida», segundo noticiou o DN, de 7 de Deze...

NATAL, SOLIDARIEDADE, HIPOCRISIA

Estamos a comemorar mais um Natal! Outrora, esta festividade era vivida com muita expectativa pelas crianças, principalmente pela espera do Menino Jesus.   Hoje, o apelo já não é às prendas do Menino Jesus. É o pedido ao pai Natal, aquele que vem do Norte da Europa num trenó puxado pelas renas. O conceito do Menino Jesus não é comparável com aquele que hoje é concedido ao pai Natal. O primeiro era mais genuíno, enquanto o pai Natal, figura criada pela multinacional Coca Cola, não obstante apresentar um ar de ancião com as suas barbas brancas e o fato vermelho – hoje já há de todas as cores, para satisfação de todos –, é uma mera construção do marketing e do apelo ao consumo. Portanto, temos um Natal antes do aparecimento do pai Natal e outro depois do surgimento dessa figura, que é apresentada às crianças como o exemplo da bondade. Alteraram-se conceitos. Mudou o Natal! Da festa do nascimento do Menino Deus Salvador, daquele que vinha de noite, em segredo, pela chaminé c...